quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Memórias a Sudoeste

Significado da palavra viver? Procurarmos retirar desta vida satisfação e sentimento de realização, no fundo fazer o que nos deixa felizes. Livrarmos-nos do comodismo que nos persegue na nossa vida diária e simplesmente agir. Nada se consegue sem se procurar e cabe a cada pessoa ter a vontade de o fazer. Eu sonho viajar, conhecer novos lugares, viver novas experiências. A chave para o conseguir reside numa pequena palavra mas com um imenso significado, o querer. Se há sítio onde esta procura teve sucesso, foi, sem dúvida, na costa alentejana. Durante todos estes anos, aquele pedaço de terra ao longo do sudoeste português foi palco de histórias e experiências que já mais esquecerei. Ali o ar é mais leve, a calma do campo funde-se com o cheiro do mar e o verde seco da vegetação entrelaça-se com o azul forte do oceano. Dizem que o céu ali tem outra cor, tem sim outro significado, temos tempo para o apreciar de outra forma e identificar todos os seus sublimes pormenores. De manhã a sua claridade percorre a vegetação transmitindo calma e leveza, quando o sol se põe, reflecte os seus tons de laranja e amarelo através da imensidão do mar, embatendo nas irregulares escarpas da costa e protagonizando um visual sem paralelo. À noite, a ausência da luz das grandes cidades dá ao céu o seu merecido destaque, as estrelas sobressaem na escuridão como pontos de luz intensos capaz de nos deixar perplexos a contempla-los durante horas. Considero-me um privilegiado por poder desfrutar de tudo isto. Os sorrisos fluem de outra forma, as memórias que ali vivi estão guardadas num local especial onde existe espaço para muitas mais. Vivendo estes momentos e partilhando-os com as pessoas certas faz-nos compreender o verdadeiro sentido da palavra viver.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Digamos que...

Digamos que, de um rasgo de criatividade, de uma ideia em bruto, nasce subitamente uma mudança. Digamos que, através de uma mente profética, de uma fala sábia, se espalha uma mensagem. Digamos que, de um sonho perfeito, o sol nasce e as nuvens desvanecem, o amor prevalece, o ódio desaparece. Ofensas e agressões dão lugar a abraços sentidos, a palavras de esperança.
Sonho que um dia sonhos destes sejam reais, que os olhos se abram e atitudes se tomem, que todos se unam e se respeitem mutuamente.
Serão sonhos impossíveis? Talvez. Mas não faz mal acreditar que um dia, sonhos e realidade se unam.
Digamos que, os sonhos são a última coisa a morrer...

domingo, 12 de junho de 2011

Urgentemente

Como sempre aqui me encontro a refletir. Imaginando o mar e todos os seus promenores; contemplando a sua grandeza, fazendo de mim um ponto quase insignificante. Que saudade tenho do seu abraço, da sua cor, do seu cheiro, saudade do sabor salgado que me percorre o corpo. Apodera-se de mim uma inigualável necessidade de o sentir de novo. Com o passar dos dias essa mesma necessidade cresce e desenvolve-se, afectando o meu modo de vida. Sou dependente, é a minha droga, faz parte de mim. Diáriamente na esperança que as condições melhorem. O desespero instala-se, entranha-se dia após dia.
Com isto, e por outras palavras, digo: Ondas precisam-se urgentemente.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Instinto

Aqui me encontro neste momento reflectindo sobre a ideia conceptual do sentimento humano. Questiono-me se o sentimento reflectido provém de algo racional; se o ódio que derrama sangue e ceifa almas, destrói laços e corrói direitos através de guerras, conflitos e violência; o amor que constrói esperança, une vidas, famílias, nações, que nos constrói o caminho para a felicidade; se tudo isto advêm de algo emotivo? Não emotivo mas sim instintivo, advêm do nosso instinto, da nossa essência como ser humano, dos nossos antepassados desprovidos de qualquer civilização ou decência, apenas armados do seu instinto, modelador de todas as suas atitudes. Foram eles felizes? Possivelmente, á sua maneira. Cresceram, viveram, mataram, reproduziram-se, não movidos por ódio ou amor, movidos sim pelo instinto, pelo rumo natural da vida. Poderei nesse sentido concluir que o nosso instinto, a nossa essência fala mais alto que todo e qualquer sentimento. Os sentimentos são apenas ideias fictícias derivadas do nosso instinto básico, animal que apenas consiste em dois grandes pontos. Sobrevivência e reprodução.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

A Duas Mãos

Benfica, 25 de Abril de 2010
03:22h


Pela primeira vez na minha vida senti a pulsação do meu coração, senti que tinha o amor na mão, olhando, tocando, sentindo num momento atingi a lógica do tempo, a pureza do mar, a certeza que aquela seria a pessoa que iria amar.
Pensava, sentia, tremia. Receava por aquilo que estava a sentir. Consegui ouvir o meu coração, cada batimento pulsava como se de o primeiro beijo se tratasse. "Estamos juntos", aquela frase que me fez caminhar até casa leve e inspirada, trémula e sorridente como uma criança.
Por minha vez senti algo inqualificável. A caminho do lar pensei se poderia amar alguém que neste tempo, naquele momento, sem auto-consentimento poderia também mostrar tal sentimento por mim. Aquela pessoa, nesta doce noite em Lisboa.
As dúvidas perseguem-me, assolam-me o pensamento, tiram-me o sono. Reviro noites..."e se?" "será que?", não quero mais sofrimento, não quero mais tentativas, quero um amor para sempre, quero viver intensamente esta paixão que estou a sentir. Entrego-me de corpo e alma, ignorando todos os sinais que poderiam por em causa este amor. Chega a tranquilidade, a paz de espírito. "É para amar", confesso àqueles que me são mais próximos.
"Estamos juntos", algo ponderado, pensado, hoje está condensado. A paixão que sinto está à vista de todos, não minto, não divago, simplesmente, apenas e somente, vivo este sonho, sonhando acordado, incondicionalmente dado a quem sei que eternamente amarei e por quem eternamente vou ser amado.
Não sonho, não sonhas acordado, vivemos e realizamos. És tu. Quero-te. Desejo-te. Adoro-te. AMO-TE.

Lanzarote, 24 de Junho de 2010
00:58h

terça-feira, 20 de abril de 2010

Boa Noite

A chuva cai lá fora, ouço o seu som suave a embater na calçada. Entrelaça-se com uma música doce vinda da coluna do portátil, falando de um pensamento mútuo de paixão, da saudade presente no interior. Aquela que te disse ser "a música" que por mais que a ouvisse não me cansava, que por mais que a sentisse não parava.
Obrigado por me fixares com as tuas palavras e me congelares com o teu gosto musical. É um prazer partilhar contigo pensamentos, gostos, visões e conceitos. Espero que brevemente possamos viver realmente estes momentos perfeitos.

Boa noite

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Pedido

Uma Noite quente e suave de Abril, a vista iluminada pela beleza de uma cidade, a nossa cidade. O reflexo da lua reflectido no rio ao fundo. Um espaço que respira subtileza e classe, que desperta sentimentos, olhares profundos, palavras sinceras. As pessoas certas exprimindo sorrisos puros de felicidade por presenciar um amor tão verdadeiro. A música inspira o amar intensamente, desesperadamente, eternamente, eleva o momento, arrepia a alma. O tempo congela ao serem pronunciadas simples palavras banhadas a mel, bom demais ouvir algo tão doce. Juras de amor, de respeito e devoção, palavras faladas e sentidas com o coração. Como resposta, um sorriso sincero acompanhado por três pequenas letras com um enorme significado. Sim. Sim para ele, para ti, para vós. Sim para o futuro, para a vida, para o amor.
Um pedido sentido que será recordado e guardado para sempre.
Sê feliz minha irmã, meu sangue.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Um Mimo

Sorrisos francos, abraços sinceros, palavras doces em falas mansas, amor revestido a mel, histórias de encantar e sonhar sem jamais acordar...

quarta-feira, 10 de março de 2010

Pormenores

Já passou algum tempo desde a última vez, por momentos pensei ter-me esquecido como era, como me fazia sentir. Resumir um momento a um gesto, compreender cada movimento por mais súbtil que seja. Os olhos brilham sem a ajuda de luz; o sorriso transborda serenidade e paz; o tom de voz soa a natureza, como uma brisa de primavera a passar por entre os ramos das árvores.
Fico impávido e sereno sem saber o que dizer, sem esboçar reacção, apenas observando a tua simplicidade, complexa a todos os níveis.
Talvez um dia te diga, talvez um dia te mostre, o quanto os teus promenores significam para mim...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Caminhando

Hoje caminho respirando calma,
Sigo um destino que não conheço,
Deixando um local que não esqueço,
Caminho com a força da minha alma.

Parto em busca do desconhecido;
Passo a passo, sem limite de espaço,
Com o intuito de não mais me sentir perdido.

Sou senhor da minha liberdade;
Guerreiro destemido, sou um poema nunca lido;
Caminho por minha livre vontade.

Agradeço a quem me ama por fazer de mim quem sou;
Por me ajudar nos momentos de tormento;
Por me elevar acima do sofrimento;
Por me fazer acreditar que serei alguem que outro alguem sempre sonhou.


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Estranha Forma De Vida

Estranho como os dias passam e a rotina se repete constantemente; que as histórias sigam uma cadeia prevísivel e banal. Falta criatividade e inovação como um refrão de uma música que repete inúmeras vezes as mesmas palavras, os mesmos tons; uma linha contínua num monitor de hospital sem alternância de sinais vitais; um carrocel que roda sem luz e sem a presença dos sorrisos inocentes e puros das crianças.
Estranho frequentar diariamente os mesmo sítios, ver diariamente as mesmas pessoas, repetir diariamente os mesmos gestos e palavras. São deja vu´s contantes dia após dia, semana após semana, mês após mês.
Que estranha forma de vida esta que insiste e persiste em continuar. Estranha que não conheci nem vivi em tempos passados.
Estranhamente repito-me bastante neste texto, porque será?

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Vivendo

Dias passam, aprendendo, esquecendo, vivendo. Momentos de reflexão, pensando em mim, no que sou, porque o sou, para onde vou. Imaginando, sonhando, idealizando um futuro ideal, real. Chorei com dor, chorei por amor, perdi amigos, entes queridos, perdi as forças pelos momentos sofridos. Senti-me sozinho, ausente, distante. Envolto por um vazio presente e constante. Cai em poços profundos, atingi o seu limite, movi mundos em busca de felicidade, para alem do que a minha força permite. Se sou feliz? Não mas faço intenção de o ser um dia. Sou aprendiz, aprendo com o coração, colho os frutos das escolhas que fiz, lição após lição. Vou vivendo em paz, seguindo o meu caminho, esperando o que a vida me trás, entregando-me ao destino. Conhecendo-me a cada dia que passa, explorando-me, completando-me.
Experiências passadas, metas alcançadas, alegrias vividas com sorrisos puros, lágrimas vertidas em momentos duros. È esta a vida que levo e continuarei a levar até que uma mudança surja vou continuar a esperar, a acreditar no momento em que tu vais chegar…

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Amizade




Passaram dias, meses, anos recheados de momentos mágicos, intensos, únicos. Simples gestos, simples palavras e olhares de uma cumplicidade inimaginável. Meus amigos, a vós vos agradeço por me fazerem a pessoa que sou hoje, por serem alicerces essenciais á construção da minha estrutura interior. Nunca se consegue sozinho, todas as metas alcançadas e ainda por alcançar, todas as barreiras superadas e ainda por superar. Solidifiquei a certeza que estarão sempre a meu lado, no bom e no mau, na alegria e na tristeza, com lágrimas a descer pela face ou com o brilho de um simples sorriso. São a família que escolhi, que guardarei comigo e acompanharei até ao fim dos meus dias, amizade pura recheada de um amor genuíno. Desabafos, lições de vida, abraços sentidos, mãos apertadas com força e convicção que transmitem esperança, confiança, devoção. Amigos vêm e vão? Conhecidos sim amigos não. Amigos cativam-se, amizade constrói-se com vontade, verdade, dedicação, constrói-se com o coração.
Amizade de criança recheada de inocência, sem conflitos, sem preocupações. Desenvolvendo-se, fortalecendo-se ano após ano. Vencendo desafios, ganhando consistência, experiência. Conhecimento pormenorizado a cada gesto, atitude, movimento, a cada partilha de um momento. Fomos nós, somos nós, seremos nós a lutar sem perder a voz, sem baixar o braço, unidos jamais seremos vencidos, jamais permaneceremos perdidos, com a força deste nosso laço. Obrigado por todos estes anos de apoio e sinceridade. Obrigado meus amigos por esta vossa amizade.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Aqui Ficou...

Sorrisos francos, abraços calorosos, palavras doces em falas mansas, orações intensas, esperanças tantas em olhos que brilham com pureza de visão de criança. Ficaram laços, lembranças de abraços, ternura de olhares, calor de mãos que se tocaram, sabor de palavras que se falaram. Aqui ficou um sentimento terno, o mais simples e verdadeiro, construido para ser eterno.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Confronto Matinal

Chego á praia nesta manhã gélida de Inverno. Olho para a vastidão de cor azul que se encontra diante dos meus olhos e respiro o ar fresco e puro que me alcança o olfacto. O Sol nasce tímido reflectido por um espelho de água e sal. Linhas contínuas e perfeitas formam-se no horizonte na pressa de atingir a costa. O vento sopra de leste, sinto a sua brisa massajar-me a nuca suavemente. Ondas formam-se sublimes demonstrando uma perfeição rara, expressos coordenados com uma temporização lenta, esperando, chamando por mim.
Visto a minha armadura como um cavaleiro antes de uma batalha e respiro fundo, este é o meu mundo. Pego na minha prancha e atravesso o areal. A areia fria encontra-se com a base dos meus pés, deixo nela a minha presença passo a passo. Sinto agora a sua presença tocando-me subtilmente com um pequeno rasgo de água, um arrepio sobe-me pelo corpo. Paro, aqui me encontro á sua frente. A concentração apodera-se de mim, foco-me na sua forma, no seu som, no seu cheiro. Analiso minuciosamente todos os seus movimentos como se de uma matéria para um exame se tratasse.
Continuo em frente enquanto a água me envolve o corpo centímetro a centímetro. Sinto a sua força a cada passo que dou. Começou a batalha, um turbilhão de emoções toma posse enquanto movimentos fluidos e sentidos ganham liberdade. A água solta-se a cada rasgo meu. Um bailado sublime que dura e perdura até as minhas forças escassearem. Por fim o cansaço atinge o seu auge. Uma última onda entrega-me de volta a terra. Agradeço-lhe com um sorriso. Amanha cá nos encontraremos novamente.


sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Esperança

Dentro de mim existes, dentro de mim persistes. Correndo, espalhando, ficando.
As forças que me dás, deixando tudo para trás. Desafios, barreiras, ameaças verdadeiras.
Sabes me mover, erguer, esperando um dia novo nascer.
Esta força interior que me combate a dor. Serei eu fraco sem ti? Serei, ficarei, permanecerei.
Recheias-me de vida, curando-me a ferida de uma derrota não esquecida.
Elixir que me faz viver, sem nada a perder, apesar do que já ter perdido estar esquecido, estar a morrer.
Sou forte, mais que a morte. Sou vida, vivida, sofrida, sem sorte.
Sorte? Por vezes necessária mas secundária porque crença sim dita esta sentença.
Fazes-me acreditar que tudo pode melhorar, a hora vai chegar, hora de sorrir novamente, amar intensamente sem nada a recear, eternamente.
Obrigado por equilibrares esta balança porque sofrer cansa.
Obrigado esperança.


quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Simplesmente Amor

Amor. Que força é esta tão sublime e perfeita? Capaz de dar vida e por vezes de a tirar. Indescritível, todo um vocabulário seria incapaz de o descrever. Amor doce, amargo, profundo, suave? Simplesmente amor. Diferente em cada vida, salvando, ferindo, partindo, ficando; guardado, enraizado, em mim, em ti, em nós. Componente vital, tudo menos banal que percorre a essência humana. Chave de uma vida, de um sorriso, um olhar, uma palavra.
Amo-te. Sinal de partilha, entrega, devoção e sinceridade. Tanto conteúdo inserido em cinco pequenas letras, inexplicável como podem transmitir algo tão precioso. Ter o poder de iluminar vidas como por magia, de traçar caminhos calcetados com pedras de esperança ou apenas produzir um sorriso puro e inocente, sentido da forma mais sincera e única.
Amo-te sem saber o que és, apenas porque te sinto. Simplesmente indescritível, simplesmente amor.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Necessariamente...

Virar as costas custa, arde interiormente como uma chama a propagar-se dentro de mim. Corroendo-me, enfraquecendo-me. Se é necessário? Por vezes sim, por vezes não. Fugir, apenas fugir do que me afecta se não for suficiente forte para o enfrentar. Mais fraco a cada passo que marca a minha distância, uma corda infinita prende-me ao que quero evitar, feita de algo que nem a lãmina mais poderosa, forjada nos confins do inferno pode cortar.
Cá me encontro a percorrer um caminho circular, duvidando de mim. Serei eu capaz? Serei eu superior? Que tão forte incógnita esta me acompanha. Paro, olho ao meu redor. Tudo o que vejo é escuridão, a esperança abandonou-me, não é esta a solução. Fixo o meu olhar débil nesta corda que me prende, agarro-a com as poucas forças que me sobram e puxo, puxo, metro a metro, quilometro a quilometro. Finalmente enfrento o que me mata por dentro, a minha viagem terminou. Voltei a viver de novo, uma força indescritivel toma conta de mim, como um exército celestial enviado para me ajudar.
Foi necessário? Necessariamente Foi.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Dia de Chuva

Acordar com o som singular da água a chocar contra o vidro, uma música suave recheada de melodia natural.
As nuvens correm baixas, o céu mais próximo da terra, a agua no chão reflecte os contornos da cidade. Voltamos atrás no tempo, a cor desvanece-se ficando apenas um cinza desprovido de sentimentos, uma tela a preto e branco mergulhada no mar agitado, difundindo as suas formas e pormenores. Tecidos grossos e molhados cobrem a cor viva da pele, a essência humana milímetro a milímetro, o branco reflector dos sorrisos diminui disfarçado por cachecóis e golas altas. O impacto das solas ao embater na água das poças distorce o reflexo por elas emitido como um espelho estilhaçado. O som contínuo da chuva ao embater na calçada é substituído pelo som da mesma a embater no tejadilho do meu carro, uma música de tom mais grave e difuso. Ligo o motor, o rádio e parto.
Jazz, que outro estilo combina tão bem com a melodia natural que me envolve?
A chuva cai cada vez com mais intensidade, biliões de gotas de água a cair a um ritmo frenético, distorcendo as luzes vermelhas do trânsito. A visibilidade é pouca, a velocidade menor ainda. O alcatrão escorrega, simbolizando uma entidade coberta por um manto preto, passando uma foice coberta em óleo pelo piso. Noticiários invocam números de vidas que essa foice já ceifou.
Por fim o destino foi atingido. A chuva estagnou. Saio do carro e um silêncio avassalador instala-se, o vento enfraquece deixando as árvores sem par na sua dança irrequieta, apenas uma brisa corre no ar. Respiro fundo e inspiro esta calma que me envolve. O sol brilhará novamente…

Chama

Essência pura de uma personalidade vincada, por vezes abalada mas nunca superada. Sou eu, és tu, somos nós, uma tela por pintar, uma música incompleta, uma vida por explorar, uma chama inquieta á espera de se propagar. Mas cuidado, podes te queimar.
Nestes tempos, feitos de momentos, repletos de sentimentos; a evolução é inconstante, é relativa, desmotivante e pouco criativa. Conteúdo inexistente em estrutura doente com aparência, sem consciência que amor não se constrói por tendência.
Se existe, anda escondido, porque por mim nunca foi sentido; esse recheio que me dá vida, que me dá certeza de uma promessa cumprida. Promessa de felicidade, promessa de eternidade. Encontra-me nesta estrada sem rumo, dá luz a este céu escuro, faz-me sinais de fumo, da-me a conhecer o amor puro. Se assim for a chama propagou e ninguem se queimou...